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Uma breve história do tempo- Por Eugenio C. Mussak* -
Cultura |
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(O título deste artigo foi inspirado na obra do físico Stephen Hawking, aquele que está sentado na cadeira que já foi de Newton.)
Um dos assuntos mais instigantes com que estamos ligados em caráter permanente é o tempo. Costumamos repetir, com freqüência, aquelas frases clássicas, como: “isso é do nosso tempo, ou “o tempo se encarrega de resolver". Mais: “tenho que aproveitar bem o tempo, pois ele é limitado” ou “não podemos parar no tempo”. Não há quem deixe de se espantar com a velocidade com que o tempo passa. Também não há quem não se preocupe ocasionalmente com organizar melhor sua agenda, com a finalidade de criar condições para fazer tudo o que deve ser feito, inclusive aquelas coisas comumente adiadas, como “achar” tempo para fazer ginástica ou estudar espanhol.
Mas será que é possível simplesmente “achar” tempo, como se fosse um objeto que estava perdido no meio DA bagunça? Será que é possível Dar vida e corpo ao tempo, e transformá-lo em um amigo e um aliado, ao invés de lutar contra ele? Pois bem, essas não são questões apenas filosóficas, e sim preocupações práticas e pertinentes. Especialmente para quem está no pleno exercício de sua atividade profissional. Há pelo menos duas percepções que temos que desenvolver a respeito do tempo. Elas podem parecer simples demais, mas fazem a Grande diferença.
A primeira é a de que o tempo é o único patrimônio que não podemos recuperar. Se você perder dinheiro, pode ganhar novamente, se perder um objeto, pode comprar de novo. Até a saúde, perdemos e recuperamos, na maioria das vezes. Perdeu a namorada, ou namorado, arruma outra ou outro... E com certeza muito melhor, não é mesmo? Essa visão pragmática vale para tudo, menos para o tempo. Passou, acabou. Perdeu, não recupera. Quando o escritor francês Marcel Proust escreveu sua obra-prima “Em busca do tempo perdido”, referiu-se justamente à angústia das pessoas ao perceberem que isso não é possível. Portanto, a lógica é: aproveitemos OS nossos minutos, pois else são únicos. Lembra do Lulu Santos? “Não adianta fingir, nem mentir pra is mesmo... Há tanta vida lá for a, e aqui dentro sempre (igual)...”.
A segunda percepção parece ser ainda mais simples, mas não é: o tempo passa, e com ele passam OS sentimentos gerados por ele mesmo. Como assim? Às vezes, você sofre imensamente com algum fato negativo de sua vida e tem a impressão que vai sofrer para sempre, não é mesmo? Depois de algum tempo, esse acontecimento transforma-se em uma leve lembrança. Você sabia que um neném de colo chora quando está com fome, não porque está com fome, e sim porque pensa que vai ficar com fome para sempre? E sabe por quê? Porque ele simplesmente não conhece o tempo. E muitos de nós somos nenéns emocionais a vida inteira. Cuidado!
Você certamente deve saber que o físico alemão Albert Einstein pesquisou e discorreu sobre o tempo. Graças às suas observações, a ciência física nunca mais foi a mesma. De acordo com ele, duas pessoas dotadas de velocidades diferentes apresentarão diferentes reações em relação ao tempo.
A mais rápida USA melhor o tempo, e envelhece menos. Isso pode ser explicado pelo paradoxo dos gêmeos. Enquanto um FICA na Terra o outro dá uma Volta pelo Universo à velocidade DA luz. Ao retornar do espaço, o viajante descobre que seu irmão envelheceu mais que ele. Na vida prática esse paradoxo é ainda mais interessante, pois quanto mais dinâmica tem nossa vida, parece que o tempo passa mais depressa, mas nós envelhecemos menos, pois produzimos mais, em um intervalo menor de tempo. Fantástico, não?
E no dia a dia? O que fazer com relação a esse produto chamado tempo, que parece que sempre está em falta? Simples: tenha uma agenda. E não só tenha, use. E não só use, use bem. A primeira regra a ser observada é a de que a agenda não escraviza, como muitas pessoas pensam. Ao contrário, ela liberta! Entrega de Volta a você sua própria vida, pois lhe dá o controle, uma vez que é você quem a cria. Experimente ter duas agendas. A dos compromissos agendados, e outra, a ser preenchida no final de cada dia, contendo OS tempos gastos na realização de cada uma das tarefas que você considera importantes. Isso permite computar, ao longo de uma semana e de um mês, qual foi o investimento de tempo em produção, rotina, contatos, desenvolvimento pessoal, ginástica, e até as coisas desagradáveis como trânsito e reuniões improdutivas. O resultado é uma bela visão do panorama geral. Um mapa do tempo. E a conseqüência poderá ser a correção dos rumos. Adoção de medidas preventivas para evitar a perda de tempo com atividades menos importantes e de uma postura mais equilibrada e mais firme quanto à racionalização do uso do tempo.
Outro exercício interessante é o de colocar as atividades diárias em um dos quatro quadrantes construídos pelas quatro grandezas a seguir: importante e não importante; urgente e não urgente:
NÃO URGENTE IMPORTANTE |
NÃO URGENTE NÃO IMPORTANTE |
URGENTE IMPORTANTE |
URGENTE NÃO IMPORTANTE |
O ideal é você se concentrar mais no quadrante importante-não urgente, pois ele evita o stress e, quando o importante virar urgente, já está feito. Cuidado com o quadrante importante-urgente, pois além do nível de stress que ele provoca, causa escapes involuntários para os quadrantes do não importante, como uma medida inconsciente de preservação do equilíbrio mental. Tente ficar nele pouco tempo.
Em síntese, cuide do seu tempo. Você estará cuidando de você mesmo. É uma atitude de auto-respeito, que gera o respeito dos demais. Lembre-se de Zeus, que se tornou o deus mais poderoso do Olimpo só depois que controlou Chronos, o deus do tempo, aquele que tinha o hábito de comer os próprios filhos.
*Eugenio Mussak (eugeniomussak@uol.com.br) é médico e biólogo. Especialista em educação, dedica-se a escrever e a dar palestras sobre o comportamento humano. Atua como consultor de soluções educacionais para grandes empresas.
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Escrito por: PROF. JEFFERSON ANTONIO DO PRADO em 06/11/2008 |
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Ranking de pais -
Cultura |
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Muitas escolas comprometidas, que realizam um projeto de trabalho claro, em busca de uma prática mais coerente com suas propostas teóricas e de aprimoramento, estão pressionadas por causa do resultado do Enem.
Desde que há um ranking de escolas usando resultados de exames desse tipo, elas são avaliadas pela comunidade de acordo com a posição alcançada. As escolas consideradas de maior qualidade são as que estão pelo menos entre as 15 primeiras. E tem mais: agora se faz também a relação entre a mensalidade e o ranking, pode?
O resultado do exame não pode ser descartado por completo, é claro, mas também não deveria ser levado tão a sério quanto tem sido. Afinal, o trabalho escolar realizado por oito anos (agora nove) no ensino fundamental e, depois, no ensino médio não pode ser computado em uma prova. Por quê?
Ora, porque alguns alunos não produzem tudo o que sabem por ficarem tensos em situação de prova, outros por ainda não terem se acostumado a passar por avaliação de forma ritualística, outros porque não estão no melhor dia quando fazem a prova, outros ainda porque não dão valor à avaliação.
Claro que também há alunos que não apresentam resultados melhores porque a escola não realiza a contento seu papel.
Mesmo assim, isso não pode ser deduzido apenas pela prova. A escola não é só instrutora de conteúdo, certo?
Uma colega educadora profissional, muito espirituosa, manifestou de forma bem-humorada sua crítica ao estardalhaço que se faz com o tal ranking de escolas. Ela disse que os pais só entenderiam o que significa isso se fizéssemos também um ranking de pais.
Adorei a idéia. Aliás, as escolas que faziam e ainda fazem, de forma velada, a malfadada prova para a entrada de novos alunos não deixam de agir assim, não é mesmo? Mas, poderíamos aprimorar o processo.
Para alunos da educação infantil, a avaliação seria tanto das crianças quanto dos pais. A estes, poderíamos fazer um questionário para avaliar, por exemplo, se contam histórias a seus filhos, se fazem ofertas culturais a eles, se praticam educação moral e ensinam virtudes, se têm disponibilidade para acompanhar de perto o trabalho da escola e se são modelos coerentes de pais. E, para as crianças, avaliaríamos o quanto é efetivo o trabalho realizado pelos pais, ou seja, veríamos se a criança demonstra curiosidade pelo mundo à sua volta, se sabe se comportar em situações diversas, se seu conhecimento prévio está de acordo com o esperado etc.
Para alunos do primeiro ciclo do ensino fundamental, o esquema ainda seria semelhante ao citado acima. A avaliação dos pais verificaria itens como disponibilidade para realizar parceria com a escola e comparecer às reuniões, capacidade de organizar o tempo do filho para estudo e para exigir dele compromisso e responsabilidade com o trabalho escolar, condição de delegar de forma respeitosa a educação escolar à instituição de ensino etc. Com os alunos, se poderia verificar se sabem acatar limites e conviver respeitosamente com os colegas, se assimilam bem as lições dadas, se sabem respeitar os adultos etc. A combinação dos dois resultados permitiria elaborar o ranking de famílias, e as escolas disputariam os primeiros colocados e dispensariam os outros.
Com alunos do ciclo final do ensino fundamental e os de ensino médio, os pais poderiam ser dispensados do exame porque, afinal, os filhos já deveriam ter incorporado o trabalho educativo, não é?
Essa brincadeira serve para mostrar a falta de bom senso que é avaliar o trabalho das escolas apenas pelo resultado dos exames de seus alunos. Os pais não precisam levar tão a sério os tais ranking escolares.
ROSELY SAYÃO |
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Escrito por: Maria Amélia em 09/10/2008 |
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Ler é Sublinhar com a Voz as Palavras Essenciais -
Livros |
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13/08/2008 - Clóvis Roberto Benedetti Lourenço
Não sabemos, até o momento, se há um estudo científico que comprove efetivamente, que o jovem não gosta de ler. Segundo a percepção de muitos educadores e pais, sim. E, em se tratando de livros clássicos, então, nem pensar. O pior é que ainda usamos como argumento para leitura desses livros ameaças como: "se não ler não passará no vestibular", ou "tem que ler" e dessa forma trava-se uma batalha entre professores, pais, alunos e, claro, com os livros.
Por que será que alguns alunos não fazem esse tipo de leitura? Há múltiplas explicações, e todas convergem a um único ponto: a informação rápida e fácil que encontramos em gibis, Internet, revistas, pois vivemos, atualmente, num mundo em que se privilegia a imagem e a rapidez das informações. A tevê, o fax, telefone, microcomputador; não cedem espaço à leitura do verbal nem ao estudo da literatura. Sendo assim, o jovem dispensa a leitura dos clássicos por seu um ato puramente reflexivo e com certeza despenderá grande esforço. Entre os vários meios de comunicação que dispomos esse é o mais trabalhoso, então o que podemos fazer? A resposta é simples, precisamos modernizar a forma de incluir a leitura de livros clássicos em sala de aula. Como? Criando mecanismos que aproximem o educando a essa prática tão distante dele, e nossa também, com palavras já esquecidas ou não usuais em nosso cotidiano.
O mais importante crítico literário, o americano Harold Bloon, disse à revista VEJA, em entrevista: "A informação está cada vez mais ao nosso alcance, mas a sabedoria, que é o tipo mais precioso de conhecimento, só pode ser encontrada nos grandes autores da literatura”.
O bombardeio de informações é estonteante, embora elas se determinem pela qualidade e não pela quantidade. Às vezes, temos a sensação de vivermos todos imersos em uma sociedade caótica em que, os prazeres intelectuais, as diversões e a espiritualidade ficam em plano secundários ou até mesmo esquecidos.
O americano Mark Edmundson, professor de Língua Inglesa da Universidade de Virgínia e autor do livro Why Read? (Por que ler?), desenvolve a tese de que leitura "é a segunda chance que a vida oferece para o nosso crescimento pessoal". (Edmundson, 2001). Durante a infância e adolescência, segundo ele, passamos por um processo de socialização, quando aprendemos o que é certo e o que é errado com nossos pais e professores e passamos a agir de acordo com o senso comum. Depois é a leitura que nos permite desenvolver idéias próprias, conceitos e valores.
Pensando assim, é preciso incutir nos jovens dessa faixa etária a idéia de que os livros estão a sua espera, pois eles poderão ajudá-los a encontrar respostas para suas perguntas e indicar soluções.Os próprios estudantes precisam descobrir o que um livro tem para dizer-lhes a respeito de sua vida, de seus problemas e de suas perguntas. É claro que eles precisam dessa ajuda mais do que em qualquer outra fase do seu desenvolvimento, porque as várias crises desse período os tornam inseguros.Para isso, torna-se necessária a intervenção do professor na escolha de alguns livros, cujos textos auxiliem na solução de problemas existenciais próprios dessa fase de suas vidas. È importante também que os meninos ou meninas não percebam essa ajuda externa.
Não podemos estigmatizar a criança e o jovem como uma geração que não lê ou que não gosta de ler, a prática acompanhada e mediada nos mostra outra faceta. Não devemos recriminar sua maneira de vestir ou a música que ouve, se agirmos dessa forma estaremos criando barreiras, ou seja, dividindo o mundo dos clássicos e o mundo moderno como se fosse ou estivesse em outra esfera, inacessível para nós e para eles.
Existem versões de clássicos em quadrinhos, Internet, filmes, enfim, para cativar ou estimular os alunos é preciso conhecer, opinar ou tecer comentários daquilo que conhecemos e para conhecer é necessário ver, folhear, ler. Quem sabe essa não seja a nossa missão!
(prof.oeni@hotmail.com)
Sobre Clóvis Roberto Benedetti Lourenço:
Formação:
Graduado em Administração de Empresas pela Instituição Toledo de Ensino Bauru - SP e especialista em Educação Escolar - FECAP/INTEGRALE - Bauru - SP.
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Escrito por: Maria Amélia em 29/08/2008 |
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Ética dos Princípios -
Ética |
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AS DUAS ÉTICAS: a ética que brota da contemplação das estrelas perfeitas, imutáveis e mortas, a que os filósofos dão o nome de ética de princípios, e a ética que brota da contemplação dos jardins imperfeitos e mutáveis, mas vivos-a que os filósofos dão o nome de ética contextual. Os jardineiros não olham para as estrelas.
Eles nada sabem sobre as estrelas que alguns dizem já ter visto por revelação dos deuses. Como os homens comuns não vêem essas estrelas, eles têm de acreditar na palavra dos que dizem já as ter visto longe, muito longe... Os jardineiros só acreditam no que os seus olhos vêem. Pensam a partir da experiência: pegam a terra com as mãos e a cheiram... Vou aplicar a metáfora a uma situação concreta.
A mulher está com câncer em estado avançado. É certo que ela morrerá. Ela suspeita disso e tem medo. O médico vai visitá-la. Olhando, do fundo do seu medo, no fundo dos olhos do médico ela pergunta: "Doutor, será que eu escapo desta?” Está configurada uma situação ética.
Que é que o médico vai dizer?Se o médico for um adepto da ética estelar de princípios, a resposta será simples. Ele não terá que decidir ou escolher. O princípio é claro: dizer a verdade sempre. A enferma perguntou. A resposta terá de ser a verdade. E ele, então, responderá: "Não, a senhora não escapará desta. A senhora vai morrer..." Respondeu segundo um princípio invariável para todas as situações.
A lealdade a um princípio o livra de um pensamento perturbador: o que a verdade irá fazer com o corpo e a alma daquela mulher? O princípio, sendo absoluto, não leva em consideração o potencial destruidor da verdade. Mas, se for um jardineiro, ele não se lembrará de nenhum princípio. Ele só pensará nos olhos suplicantes daquela mulher. Pensará que a sua palavra terá que produzir a bondade. E ele se perguntará: "Que palavra eu posso dizer que, não sendo um engano -” A senhora breve estará curada... '-, cuidará da mulher como se a palavra fosse um colo que acolhe uma criança?”E ele dirá: “Você me faz essa pergunta porque você está com medo de morrer.
Também tenho medo de morrer...” Aí, então, os dois conversarão longamente -como se estivessem de mãos dadas ...- sobre a morte que os dois haverão de enfrentar. Como sugeriu o apóstolo Paulo, a verdade está subordinada à bondade.Pela ética de princípios, o uso da camisinha, a pesquisa das células-tronco, o aborto de fetos sem cérebro, o divórcio, a eutanásia são questões resolvidas que não requerem decisões: os princípios universais os proíbem.Mas a ética contextual nos obriga a fazer perguntas sobre o bem ou o mal que uma ação irá criar.
O uso da camisinha contribui para diminuir a incidência da Aids? As pesquisas com células-tronco contribuem para trazer a cura para uma infinidade de doenças? O aborto de um feto sem cérebro contribuirá para diminuir a dor de uma mulher? O divórcio contribuirá para que homens e mulheres possam recomeçar suas vidas afetivas? A eutanásia pode ser o único caminho para libertar uma pessoa da dor que não a deixará?Duas éticas. A única pergunta a se fazer é: "Qual delas está mais a serviço do amor?”
Texto de Rubem Alves
Publicado na Folha, em 04/03/08
(http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0403200804.htm)
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Escrito por: Prof. Jefferson Antonio do Prado em 13/03/2008 |
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